O Todo Multifacetário
Por dezenove anos trabalhei em uma casa espírita
semanalmente. Quando olho para trás e vejo as pessoas que orientei, acolhi, escutei,
vejo algo que não percebi na época.
Cada conversa, de alguma forma, também era para mim.
Era como se algo em mim soubesse que aquela pessoa na minha
frente carregava uma questão que eu também precisava atravessar e que ao
ajudá-la a encontrar um caminho, eu também encontrava o meu.
Com o tempo, fui entendendo o porquê.
Somos seres multifacetários. Cada pessoa que encontramos é,
em algum nível, um espelho de nós. O que dói no outro não é estranho a
nós, é familiar. Às vezes incomodamente familiar.
Então quando você acolhe alguém com genuinidade e presença, livre de julgamentos e com nenhuma outra intenção que não seja ajudar, talvez o que aconteça não seja apenas cuidar do outro. Talvez você esteja acolhendo uma parte de si que também precisava ser vista.

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