A fé, a montanha e a fatalidade


O quadro acima retrata Daniel na cova dos leões, mais uma das histórias que narram a fé em Deus.

A vida nos exige fé. Isto é fato. Entretanto, o que é esta  que move montanhas?

Jesus claramente fala em um sentido figurado, pois tal movimento seria contra as leis da física. Estas montanhas são no sentido moral, pois a fé nos ajuda a vencer as montanhas de sofrimento, de tristeza, das dificuldades e dos problemas diários que enfrentamos.

E de acordo com a nossa dinâmica social, estas situações tendem a se multiplicar diariamente.

O Evangelho Segundo o Espiritismo nos ensina que "A fé é o sentimento inato, no homem, da sua destinação. É a consciência das prodigiosas faculdades que traz em germe no íntimo, a princípio em estado latente, mas que ele deve fazer germinar e crescer, através da sua vontade."

A fé é a confiança que se deposita na realização de determinada coisa, certeza de atingir um objetivo. Ter fé em Deus é acreditar que Ele nos auxilia em nossa jornada. Tão importante quanto ter fé em Deus é termos fé em nós mesmos, na nossa capacidade de superar as dificuldades, administrar os desafios e vencer os obstáculos.

A fé ainda pode ser humana ou divina, dependendo da aplicação que daremos a ela. Quando acredito na realização de questões materiais, ela será humana, mas quando acredito no êxito das dificuldades morais, ela será divina. Em ambos os casos, ela é necessária para a realização de nossas tarefas.

Nós triunfaremos se tivermos fé, porque sentiremos em nós mesmos que podemos e devemos triunfar, e esta certeza íntima nos dá extraordinária força. Porém, a fé também implica em confiar na sabedoria Divina e de que Deus, como um bom pai, nos dará aquilo que precisamos para crescermos e evoluirmos, mas não necessariamente aquilo que queremos, e neste ponto, ter fé consiste em fazermos a nossa parte e confiarmos no futuro que nos Deus nos reserva.

A fé raciocinada que o espiritismo nos ensina é aquela que encara a razão, face a face, ou seja, ter fé  não é apenas acreditar, mas compreender porque devemos acreditar, compreender porque as coisas acontecem de tal e certa forma, e esta fé robusta é fruto do conhecimento de verdades espirituais.

O Espiritismo nos ensina estas verdades espirituais, ou seja, de que somos espíritos imortais, verdadeiras centelhas divinas de grande potencial e capacidade, criados por Nosso Criador e que, através das reencarnações, vamos progredindo intelectualmente e moralmente.

Compreendemos a justiça divina na Lei de Causa e Efeito, ou seja, todos as dificuldades, enfermidades e demais percalços pelos quais passamos guardam relação com nossa postura diante da vida, logo, não existe acaso, sorte, azar ou injustiça, tampouco fatalidade ou destino. Percebemos que Deus não é injusto e não "sorteia" as aflições pelo mundo, pelo contrário, o Mestre Jesus já nos avisou:  "A cada um segundo as suas obras."

Verificamos que a fatalidade ou o destino não são mais do que consequências de nossas escolhas. Como disse Raul Teixeira, quando nos alimentamos, fatalmente faremos digestão, quando nos alimentamos em excesso, fatalmente passaremos mal.

A fé nos capacita a atravessarmos a vida porque possui os seguintes atributos:
1) Calma, pois amparada na inteligência e na paciência nos permite esperar com a certeza de que chegaremos ao fim;
2) Humildade, no momento em depositamos nossa confiança em Deus mais do que nós mesmos, combate nosso orgulho e nossa presunção, pois se se estamos aqui é porque Deus nos nos criou;
3) Transformação, permite ação direta no fluido universal, tal como os fenômenos de cura, mas esta parte dos fluidos fica para outro post, ok?  :)

Quando a fé é robusta, ela confere perseverança, esperança, energia e os recursos necessários para a vitória sobre os obstáculos. Por outro lado, quando vacilante nos traz a incerteza e a hesitação, pois não cremos na vitória.

Por fim, deixo o vídeo de um trecho da composição de Bach "Paixão Segundo São Mateus" que representa o sofrimento de Jesus, maior exemplo de fé em Deus que a humanidade já teve notícia:


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