As Flores e a Nossa Percepção do Criador
Tudo no universo tem um motivo, uma razão de ser ou estar. As leis naturais, instituídas por Deus, estabelecem que a cada causa haja uma consequência. Essa relação, que aqui, em termos gerais, chamaremos de “causa/efeito”, não é de difícil interpretação. Mas os caminhos que levam às respostas são tortuosos. O esforço individual necessário para superá-los intimida a muitos irmãos, que, amedrontados, seguem a tendência natural da acomodação.
Há situações onde nossa condição humana não nos permite uma interpretação racional ou plausível da cadeia de acontecimentos que envolve a nossa vida. Ou se a realidade que se apresenta é amarga, é quase irresistível deixar-se levar pela auto piedade, atribuindo ao acaso a responsabilidade pelas nossas misérias. E há momentos ainda em que simplesmente não encontramos resposta alguma...
Allan Kardec, já no primeiro capítulo do Livro dos Espíritos enfrenta uma questão que percorre os tempos e desafia o raciocínio humano. E ao indagar aos mensageiros espirituais o que é Deus, recebeu o surpreendente e simples esclarecimento de que Ele “ é a inteligência suprema, e a causa primária de todas as coisas”. Kardec, no ânimo científico que o movia, inquieto, ainda deseja saber sobre a natureza de Deus. Como resposta, descobriu que a pobreza da linguagem humana é insuficiente para definir o que está acima da linguagem dos homens.
Qual a lição que tiramos, hoje, dessas linhas? Ora, desde a primeira publicação do Livro dos Espíritos, em 1857, é inegável o avanço da tecnologia e das ciências em geral, ainda que muitas leis naturais ainda careçam de estudos, e outras sequer tenham sido reveladas ao nosso entendimento. Entretanto, avançou o homem na compreensão de Deus e de suas leis morais? Pode se dizer o homem mais próximo de Deus e de Seus propósitos?
A especulação filosófica de Kardec a respeito da natureza de Deus foi considerada pelos espíritos pouco produtiva, e sem utilidade para o atual nível de desenvolvimento do ser humano. Não há interesse legítimo em saber “quem criou Deus" se sequer temos conhecimento sobre a nossa individualidade, quem somos nós, e às vezes temos medo de explorar o nosso universo interior. O espírito, essa obra fantástica do Pai, é um desconhecido para muitos. Nossa impureza moral não nos permite colocar em prática o que Jesus nos ensinou; se não nos entendemos como criaturas então não podemos entender o Criador.
Entretanto, é fácil observar e entender um pouco de Deus, sempre que quisermos. Basta elevar o pensamento.
Irmãos, todo efeito inteligente tem uma causa inteligente, tal como observado por Kardec nas experiências que levaram à Codificação. Não há como admitirmos que nossa origem seja o acaso. O que é o acaso? É o nada. No nosso raciocínio, o acaso é o evento que, contra todas as possibilidades, gerou vida, biológica e espiritual. Ora, estatisticamente, esta é uma hipótese improvável. A cadeia de eventos necessária para que uma combinação de moléculas levasse à reação química geradora da vida (consideremos que seja resultado de uma reação química), sem que qualquer dessas moléculas se dissolvesse, ou que essa forma originária de vida não se perdesse, mas que fosse viável, e não só viável, mas que se desenvolvesse por si só em ambientes altamente inóspitos, sem perecer, e se multiplicasse em espécies incontáveis através dos tempos... é plausível que o nada, o acaso fosse o responsável por tal prodígio? E vamos além, o que dizer a respeito do princípio inteligente que anima a estrutura orgânica dos seres? O que dizer a respeito do espírito, da consciência, dos fenômenos mentais? O “nada” não é inteligente. Logo, não podemos considerar que fomos criados pelo nada, ou que somos resultado do nada.
Em se plantando um lírio, nasce um lírio; se plantarmos uma rosa, nascerá uma rosa. Isto decorre das leis biológicas criadas pelo nosso Pai Celestial. E sendo a causa primária e Criador de todas as coisas, Deus também está em todas as coisas! Ele imprime na Sua criação a Sua imagem e semelhança. Causa e efeito: se Deus é bom, o que Ele criou também é bom. Nisto reside Sua onipresença no universo, pois Ele está em nós, nos animais, no ar que respiramos, no dia que nasce, no sol que nos ilumina e nas menores e imperceptíveis coisas do nosso dia-a-dia...
Exemplificando, apreciemos as flores do vídeo abaixo. Somente o Criador em sua sabedoria poderia nos presentar com algo tão belo e emocionante:
É vibrante a sensação de sabermos que temos um Pai que nos ama, pois, se não nos amasse, não nos teria criado. A própria criação é um ato de amor, e a vida conspira a nosso favor!
Nós devemos identificar Deus nas menores coisas, assim como no desabrochar de uma flor...
Certamente, com esta nova visão sobre a vida, tudo irá melhorar....
Um abraço fraterno!

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